

Quando se quer muito alguma coisa, nem a distância é capaz de impedir.

— Ei.
—Te conheço?
—Talvez.
—Talvez?
—É. Talvez, nunca ouviu essa palavra? Tal.vez; uma palavra que não diz nem sim nem não, apenas talvez, 6 letras, creio que aprendeu com a vida ou com a escola. Posso me sentar?
—Claro.
—E então, porque vem aqui todos os dias, pedir sempre o mesmo café e o mesmo pedaço de bolo sempre na mesma hora e sempre senta na mesma mesa?
—Como você sabe disso?
—Apenas sabendo.
—Você anda me seguindo?
—Não. Apenas te observo, seguir e observar são duas coisas bem diferentes.
—Mas você sabe meu nome.
—Não lhe disse isso em momento algum. Eu sei?
—Não sei, você sabe?
—Não sei não, e se eu soubesse, que diferença iria fazer?!
—Isso ja é com você.
—Porque comigo?
—Não sei que diferença iria fazer você sabendo ou não o meu nome.
—Nem eu.
—Como não?
—Não sabendo.
—Como assim não sabendo?
—Não sabendo ué, você sabe de tudo na sua vida?
—Não.
—Não, então, não sabe, é como eu, eu também não sei.
—Tem certeza?
—Talvez.
—Talvez?
—É talvez.
—Você deve amar essa palavra.
—Talvez. (risos)
—Agora, falando sério, para quê tanto talvez na sua vida?
—Porque decidi não esperar mais nada dela.
—Porque?
—Não me faça perguntas dificeis, por favor.
—Porque seria dificil?
—Já lhe disse para não fazer essas perguntas.
—Tudo bem… você me parece uma menina meio rebelde.
—Talvez. E você me parece um cara muito antiético, na verdade, muito reservado.
—Talvez. Mas então, como chegou até aqui?
—Não sei. Chegando.
—A vida?
—Talvez.